[EcoSoLivre] Evento comunitário Ecosol e SL no FISL 9.0?

luciouberdan luciouberdan em gmail.com
Terça Novembro 27 15:08:37 BRST 2007


Saudações a todos(as)

Hoje fiz a submissão de uma proposta de palestra para o FISL 9.0 através 
da ATES conforme abaixo:

Prezado(a) Lucio Uberdan,

Sua submissão para o "FISL",
com título "Relato da justificativa, histórico, instrumentos e 
implementação da Incubadora de Jovens, Tecnologias Livres e Economia 
Solidária da ATES – Convênio entre MTE/SENAES/FBB/ATES",
foi recebida para avaliação.

Estamos avaliando também pela ATES a possibilidade de inscrever uma 
outra palestra com o título: “Novas Tecnologias e o Mundo do Trabalho, 
entre o Capitalismo e a Economia Solidária”, porém achei que esta 
temática poderia compor um evento comunitário como um todo no FISL, nos 
moldes dos últimos anos, em especial no do ano passado. O evento poderia 
ser novamente um articulador dos temas em articulação Ecosol + software 
livre, mas agora, neste FISL, quem sabe com uma pauta mais pré-definida 
e com propósito futuro organizativo dos temas, que acham?

ps - 1) estou mandando esse email para lista Casa Brasil e lista 
Ecosolivre; 2) Abaixo coloco os argumentos da inscrição da palestra que fiz.

Um abraço,
Lucio Uberdan
Diretor de projetos da ATES
Militante da Economia Solidária e Software Livre

Palestra: "Relato da justificativa, histórico, instrumentos e 
implementação da Incubadora de Jovens, Tecnologias Livres e Economia 
Solidária da ATES – Convênio entre MTE/SENAES/FBB/ATES"

1) Público Alvo:
Participantes em geral do FISL, militantes do Software Livre Economia 
Solidária, membros de governo e entidades da sociedade civil organizada.

2) Descrição da Palestra:

Relato da justificativa, histórico, instrumentos e implementação da 
Incubadora de Jovens, Tecnologias Livres e Economia Solidária da ATES – 
Convênio entre MTE/SENAES/FBB/ATES

A presente palestra visa dividir e relatar com todos(as), o processo de 
implementação da formação técnica e social de 12 jovens no tema das 
tecnologias livres de informação e comunicação, com vistas a organização 
de um empreendimento solidário de jovens para geração de trabalho e 
renda com TICs.

3) Resumo da palestra:

Pretende-se na palestra trabalhar os elementos científicos sociais e 
históricos da constituição da incubadora, o perfil do público alvo, o 
cronograma das qualificações técnicas e sociais, a metodologia 
desenvolvida, os instrumentos de aplicação e avaliação desenvolvidos, a 
constituição do empreendimento e o processo de incubagem do 
empreendimento solidário em sua amplitude.

4) Comentários:

Entende-se que as novas tecnologias de informação e comunicação vêem de 
forma crescente cumprindo um papel estratégico na tensão capital versos 
trabalho. A contribuição das TIC's na contemporaneidade vem acarretando 
inúmeras alterações na citada tensão, ainda assim, para além das 
aparências verdadeiras e pontuais que instrumentalizam o discurso de um 
novo cenário de possibilidades econômicas a partir das novas 
tecnologias, podemos afirmar que a essência das alterações são 
estruturais e drásticas na contemporaneidade, e que simplificamos essas 
nos seguintes elementos: 1) Cenário propicio para ampliação das taxas de 
lucro com o aumento do trabalho morto e a produtividade hora trabalho do 
trabalhador(a); 2) Abrangência geográfica do capital com a globalização 
de produtos, símbolos e forma de produção “sem fronteiras” das grandes 
corporações; 3) Capacidade histórica única das empresas para a 
reconversão de produção, constituição de novos produtos e construção de 
novas matrizes de produção; 4) Aumento desenfreado do consumo; 5) A 
conflituosa financeirização; 6) Ampliação do desemprego e do trabalho 
informal; 7) Índices alarmantes no impacto ambiental, social e 
espiritual das espécies, degradando o ambiente na sua totalidade.

Acreditamos que o cenário descrito acima (não único e rígido, a 
exceções) acondiciona os elementos centrais que nos levam a acreditar na 
potência das novas tecnologias nessas últimas e próximas décadas, bem 
como, a forma em que se da a realização dessa potência quando apropriada 
quase que exclusivamente pelo capital. Sendo assim, necessita-se em 
regime de urgência a constituição de experiências de sucesso e possíveis 
de replicação, que invertam a participação das novas tecnologias de 
forma favorável ao trabalho (o software livre e os telecentro públicos e 
livres de inclusão digital são de certa forma exemplos disso), se as 
novas tecnologias forem apropriadas pelo outro lado da tensão capital 
versus trabalho cria-se possibilidades outras de experiências de 
trabalho e produção.

Chamamos nós militantes do trabalho, de Economia Solidária uma dessas 
experiências outras em constante construção na sociedade. A Economia 
Solidária é um conjunto de atividades econômicas desenvolvidas 
coletivamente por trabalhadores e trabalhadoras em inúmeros ramos da 
produção, prestação de serviço, consumo, crédito e distribuição, com um 
modelo administrativo autogestionário, conceitos e práticas fundantes na 
emancipação, sustentabilidade e democracia a partir da solidariedade. 
Visa-se com a Economia Solidária, não apenas gerar renda e trabalho, mas 
um experiência local de exemplo para um projeto de sociedade com 
qualidade de vida mais ampla e sustentável.

Necessitamos de outras práticas e referências para a humanidade 
enxergar-se a si e aos demais e tendo-as, ainda que não perfeitas e 
conflituosas, precisamos propagandear-las.

A Economia Solidária é uma experiência que reaproxima “o caracol da sua 
concha”, no modelo clássico de produção capitalista o caracol é separado 
da concha, o que inviabiliza a vida do molusco como lembra Ricardo 
Antunes acerca desse pensamento de Marx. Caracol e concha, ou seja, 
trabalhador(a) e os  “meios” de trabalho/produção necessitam ser 
reaproximados na busca da manutenção e qualificação da vida dos seres 
humanos. O trabalho emancipado, criativo e autogestionário necessita 
superar o trabalho alienado, angustiante e explorador, porém, isso só é 
possível de forma  ampla quando humanizado o trabalho e a produção de 
forma holística com o restante da vida - estando os meios de produção de 
posse coletiva dos trabalhadores(as), como disse Negri - não mais apenas 
a distribuição da riqueza, mas sim dos meios produtores da riqueza, os 
meios de produção. A de se convir, que essa reaproximação do caracol a 
concha não é simples, tem-se rejeições e dificuldades, inclusive do 
ponto de vista da aproximação (e necessidade) com as novas tecnologias 
de informação e comunicação.

A Incubadora de Jovens, Tecnologias Livres e Economia Solidária da ATES, 
visa constituir uma experiência de sucesso capaz de ser replicada onde 
tem-se a emancipação social e pessoal de jovens filhos dos 
trabalhadores(as), a economia solidária e as tecnologias livres de 
informação e comunicação. A Incubadora de Jovens, Tecnologias Livres e 
Economia Solidária, visa aproximar as novas tecnologias com  a  economia 
solidária apoiando o trabalho frente ao capital, humanizando o trabalho 
e garantindo melhores condições de vida e uma experiência exemplo a 
mais, para um projeto de constituição de sociedade para todos(as).


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