[Inkscape Brasil] Zine
Augusto Schwartz
augustoschwartz em gmail.com
Quarta Março 12 12:18:26 BRT 2008
Contribuição para matéria:
Minhas considerações estão entre [***] Reportagem 01 - TALENTO OU TÉCNICA?
EIS A QUESTÃO.
Se é verdade que nada substitui o talento, é mais verdade ainda que nada
substitui a técnica. E aqueles que se aventuram com softwares de tratamento
de imagens ou de desenhos vetoriais (como o nosso Inkscape [nome do ink em
itálico], por exemplo) devem já [já devem] ter notado isso.
De fato, se desenhar à mão livre exige técnica, desenhar com o Inkscape [I*
nkscape]* exige ainda mais. É preciso dominar uma série de conceitos que só
fazem sentido no universo lingüÃstico do próprio software. Engana-se, no
entanto, quem pensa que isso é ruim porque um software como o Inkscape [*
Inkscape]*, por exemplo, amplia as técnicas de um desenhista para nÃveis que
margeiam [permeam – alcançam – aproximam da] a perfeição, permitindo a
construção de imagens simétricas, com curvas matemáticas, com uma [e uma]
precisão que torna o ideal muito próximo ou mesmo idêntico ao real.
[Uma coisa é certa,] os tempos mudaram e a tecnologia desses softwares fez
nascer uma nova raça ["raça" leva] de desenhistas: os designers. Os
desenhistas tradicionais perderam espaço para os designers e, nesse
contexto, a tecnologia pode sugerir que o talento já não é tão
insubstituÃvel assim, e que a técnica tem um lugar mais digno ao sol. Será
mesmo possÃvel que o talento esteja se tornando algo, digamos, dispensável
diante da técnica?
O talento consiste numa [na] capacidade que alguém tem para uma atividade
especÃfica e que torna essa atividade mais fácil para quem tem esse talento
do que para que não o tem. Trata-se de um tipo de inteligência que é
apropriada para certa atividade. Alguém com talento para a música, por
exemplo, certamente terá mais facilidade para aprender música e, muito
provavelmente, será um músico mais bem sucedido do que alguém que não o
tenha.
É preciso notar, entretanto, [No entanto, é preciso notar] que o talento se
dá no âmbito da mera capacidade e não da efetividade. De fato, o produto do
talento não é algo imediatamente real, mas apenas idealizado. Por isso é que
podemos distinguir se uma pessoa tem ou não tem talento para certa atividade
[,] mesmo quando essa pessoa ainda está tendo os seus primeiros contatos com
a atividade em questão. Não é preciso esperar que uma pessoa que está
aprendendo a tocar saxofone, por exemplo, domine todas as técnicas do
instrumento para que saibamos se ela tem ou não tem talento para a música.
[exclusão de parágrafo] Isso não significa, entretanto, que a técnica é
dispensável. Para um pianista, por exemplo, não basta ter talento para que
ele seja efetivamente um bom pianista, isto é, para que ele seja um pianista
em sentido pleno. Afinal, não consideramos alguém um bom pianista quando ele
tem uma mera capacidade de tocar piano, mas sim quando ele atualiza essa
capacidade e efetivamente toca piano bem.
[No entanto, está muito repetitivo] [P]para atualizar essa capacidade e
efetivamente tocar piano bem, é preciso dominar um conjunto de procedimentos
que se articulam entre si e visam à realização daquilo que foi idealizado
pelo talento. Esse conjunto de procedimentos é justamente a técnica e, sem
ela, não é possÃvel realizar o produto idealizado pelo talento. Um pianista
com talento e sem técnica idealizará acordes e melodias apreciáveis do ponto
de vista musical, mas não conseguirá realizar esses acordes e melodias em
conformidade com o que foi idealizado.
Por sua vez, alguém que não tenha talento, mas tenha técnica[,] também terá
os seus problemas. Retomemos a nossa analogia com o pianista para elucidar a
questão. Um pianista sem talento, mas com técnica será útil para [pode]
tocar qualquer música. No entanto, ele [Porém] será incapaz de criar a sua
própria música ou de propor novos arranjos e interpretações. De fato, sem
talento não há criatividade; afinal, talento é inteligência, é a capacidade
de combinar e articular, de arranjar, de compor e recompor, de configurar. E
mesmo que o pianista domine as técnicas de execução das músicas, ele não
terá nada a dizer por conta própria porque sem talento a criatividade se
torna estéril [o pianista será simplesmente um executor]. Um artista com
técnica e sem talento é como um escritor que domina a linguagem, mas não tem
nada a dizer. Trata-se de alguém que tem um amplo vocabulário, mas não tem
inteligência para compor, arranjar e articular as palavras que conhece, de
modo que produza um texto coerente e belo. De fato, se a ausência de técnica
bloqueia o talento, a ausência de talento torna a técnica um desperdÃcio.
O problema de quem não tem talento e tem técnica, infelizmente, é
insolúvel. Resta apenas reproduzir o que já existe com toda a técnica que
possuir. O problema de quem tem talento e não tem técnica, por sua vez, tem
solução: é preciso procurar ampliar as suas técnicas, de modo a eliminar o
descompasso que existe entre o que é idealizado e o que é efetivado por meio
da técnica. E na atual conjuntura tecnológica, isso equivale a dizer que é
preciso dominar todas as funcionalidades e recursos dos softwares de
tratamento de imagens, de modo que não existam limitações de ordem técnica
para as criações das mentes talentosas.
Ainda assim, de nada adianta dominar essas técnicas se não se tem talento,
quero dizer, se não se tem nada para dizer.
[acho que faltou...]
-------------- Próxima Parte ----------
Um anexo em HTML foi limpo...
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