Re: [Inkscape Brasil] Áudio da Reunião inicial da TEIA sobre suporte CMYK no GIMP e Inkscape.
Alexandre Magno Brito de Medeiros
alexandre.mbm em gmail.com
Terça Novembro 11 06:00:32 BRST 2008
2008/11/11 Aurélio A. Heckert <aurium em gmail.com>:
> Você pode baixar o áudio da reunião inicial da TEIA
> sobre suporte CMYK no GIMP e Inkscape aqui:
> http://inkscapeBrasil.org/?topic=Reunioes
>
> E comentar enquanto é tempo. Estaremos trabalhando
> nas funcionalidades durante esta semana (é até sexta).
> Ouça e comente djah!
Eu ouvi a palestra. Confesso que nas partes técnicas mais práticas,
que falavam sobre RGB e CMYK, eu não tive muita atenção. Então vou
tentar opinar de uma forma geral.
Esse e-mail está dividido em três partes:
- Comentários sobre os arquivos de áudio das reuniões
- Comentários sobre Software Livre e mercado
- Tentativa de esboço das notas do fim da reunião
SOBRE OS ARQUIVOS DE ÁUDIO DAS REUNIÕES
Coloquei um OGG lá na página, hospedado em um disco virtual
particular. O ganho no tamanho do arquivo foi pouco. O WAV já estava
"mono", a 8000 Hz. O OGG está com qualidade 16 kbps, "mono", a 8000
Hz.
Sugestão: um OGG com qualidade 24 kbps, "mono", a 22050 Hz, poderia
ficar bom. Talvez com menos de 30 MB. Não sei. Mas não adianta testar
isso para essa experiência, a essas alturas. Falo aqui só como uma
troca de idéia... para as próximas vezes em que for necessário
publicar áudio.
SOFTWARE LIVRE E MERCADO
Não tenho vivência suficiente para afirmar isso mas... (pode fazer sentido)
Penso que CMYK não é o único empecilho para a expansão do Software
Livre na área de design. Talvez a problemática do CMYK esteja
ofuscando o que realmente é importante para se pensar a promoção do
Software Livre, seja na área gráfica ou não. Para mim trata-se mais
uma questão de cultura.
A estratégia de combinar várias ferramentas (de forma
não-transparente, ou seja, manualmente) para obter um resultado não é
o que a maioria das pessoas prefere. É o que normalmente fazemos no
universo dos softwares livres.
A maioria das pessoas gosta de começar e terminar seus trabalhos, se
possível, usando um único programa de computador. Por isso as gráficas
estão acostumadas a receber arquivos .cdr. Quem fez a arte começou e
"terminou" seu trabalho em um único programa: o CorelDRAW. Este sendo
o líder no mercado, a gráfica se sujeita naturalmente a tê-lo para a
abrir o trabalho "concluído"; um .cdr.
O CMYK é importantíssimo. Essa lacuna tem de ser preenchida. É nisso
que vocês estão trabalhando. Tudo bem... Mas voltando ao assunto do
parágrafo anterior: "a entrada do Software Livre nas gráficas". O
lance está em "tornar padrão o padrão".
Se isso acontecer, tanto os usuários de ferramentas proprietárias como
os usuários de ferramentas livres (no caso, usuários do Inkscape),
poderão começar e "terminar" seus trabalhos na mesma aplicação, salvar
no formato padrão e enviar para a gráfica. A gráfica, seja lá com qual
produto que implemente o padrão, proprietário ou livre, abrirá o
arquivo. Pronto!
Em resumo: implementações do SVG, livres e proprietárias, têm de tomar
o lugar do CDR.
É um sonho?
Para suites de escritórios isso nem parece mais tão utópico!
Por outro lado, podemos seguir com a estratégia UNIX das múltiplas
ferramentas que colaboram para a realização de um trabalho. Aliás,
para ser puritanos filosoficamente talvez tenhamos de permanecer assim
e esperar que o Software Livre conquiste a "opção intelectual" das
pessoas.
O que seria isso que chamo de "opção intelectual"?
Seria o que eu penso ter acontecido comigo, com o Aurélio, com a
maioria dos participantes dessa lista, e com tantos outros que
abraçaram o Software Livre. Essas pessoas usam software livre por um
"conjunto" de motivos e motivações, onde "prós" pesaram mais do que
"contras". Elas pensaram a escolha. Elas fizeram a escolha. Escolheram
usar software livre.
Se for para seguir a tal a estratégia UNIX (e ser puritanos
filosoficamente) sempre haverá a contra-argumentação baseada na
fórmula abaixo:
facilidade + praticidade = produtividade
No meio corporativo ou de serviços isso é o que conquista os
partidários de Windows & CIA.
Se for para ganhar mercado, a metodologia tem de ser produtiva, por
conseguinte rentável. Por isso eu acredito que, para o Software Livre
crescer, o caminho é, no bom sentido, olhos grandes, muito grandes,
para o padrão SVG e sua promoção.
Se o SVG já tivesse maduro, poderia seguir os rastros do Open
Document, procurando fazer parte de políticas governamentais. Temendo
conscientemente algum exagero eu quero mesmo dizer: para substituir
DOC por ODT e CDR por SVG só mesmo com um poder como aquele do Estado.
Além disso, para serem propostos assim, esses padrões têm que prestar
e estar implementados. O Open Document parece que atende, mas o SVG
parece que "ainda não"... Esse atendimento inclui a implementação.
Enquanto a valorização justa dos padrões não acontece eu "opto" pelo
Software Livre, mas com pé no chão, sabendo que a minha opção é a dos
"procedimentos alternativos", que em termos de esforço de trabalho,
não me coloca em condições iguais com os concorrentes. Se eu for um
profissional excepcional (no sentido de ser "exceção") minhas
habilidades irão contra-balancear e eu poderei ser competitivo. Porém,
se este peso - proporcionado por um ferramental menos produtivo - não
existisse, o esforço para o tal contra-balanceamento poderia ser
aplicado em melhorias do próprio trabalho. Assim, o profissional
excepcional¹ poderia ser excepcional².
1 - exceção / surpreendente aos olhos do mercado
2 - surpreendente aos olhos do mercado / exceção
Mensagem que eu quero deixar: não se pode esquecer de bater na tecla
da independência de fornecedor. Isso está mais ou menos ligado à
liberdade do software e à liberdade do trabalhador (programador,
designer etc), que são duas coisas bem diferentes e muito
freqüentemente confundidas.
NOTAS DO FIM DA REUNIÃO
Eu não se o que está abaixo é realmente o que eu escutei, e não sei se
o que escutei é realmente o que foi falado. :-) No final da reunião
foram feitas notas de tarefas que o grupo planeja; alguns a curto
prazo, para esta semana, outros a médio ou longo prazo.
- SVG: verificar implementação do QT nas aplicações KDE (KOffice e Krita)
- Geração de PDF: olhar como o kairo gera PDF, e pensar como seria
para inserir "perfil de cores"
- Plugins para GIMP e Inkscape exportarem PDF
- Criar interface para associar "perfil de cores" no Inkscape
- Melhorias no Separate do GIMP: geração de TIFF com CMYK
Alexandre Magno
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