[PSL-Brasil] Embraer, EUA, e o problema das tecnologias proprietárias
Nelson Ferraz
nferraz em gmail.com
Segunda Janeiro 23 13:02:02 BRST 2006
"Eu não encontro justificativas para o veto", afirmou o ministro das
relações exteriores, Celso Amorim, em uma entrevista à Folha.
"Primeiro porque o Brasil não favorece em geral esse tipo de medida,
de veto. Segundo, os aviões nem são de uso militar ofensivo. Terceiro,
a Venezuela não é ameaça militar a ninguém, não está sob sanções
militares ou econômicas, aprovadas por nenhum órgão internacional e
nem mesmo pelo Congresso dos EUA".
"Parece que o Brasil tem limitações, precisa de permissão dos Estados
Unidos", ironizou o presidente da Venezuela Hugo Chaves.
Parece não. Tem.
Esta não é a primeira vez que um país sofre um veto dos EUA quando
tenta exportar produtos usando tecnologia americana. A Espanha se
deparou com o mesmo problema quando tentou exportar aviões para a
Venezuela.
E esse problema se repete todos os dias, em menor escala, quando
adquirimos tecnologia proprietária para rodar em nossos computadores:
Nós não temos autonomia para usar a tecnologia da maneira como
desejamos, aprender como ela funciona, ou replicá-la conforme a nossa
necessidade.
A diferença é que, ao invés de um prejuízo de U$ 470 milhões, como no
caso da Embraer, estamos falando de mais de 1 bilhão de dólares, valor
que é remetido anualmente para o pagamento de licenças de software.
A diferença é que, no caso dos softwares proprietários, as restrições
não são impostas pelos EUA: de fato, já existem soluções livres que
podem substituir, com vantagem, a grande maioria dos softwares
proprietários.
O caso da Embraer é emblemático pois mostra, mais uma vez, a
importância estratégica da promoção de tecnologias livres no Brasil.
[]s
Nelson
--
Nelson Ferraz
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