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Pedro A.D.Rezende
prezende em unb.br
Quinta Junho 1 10:56:00 BRT 2006
Ocorre aqui uma situação parecida com a do uso do termo "Propriedade
Intelectual". Considero a postura do Stallman a respeito, de evitar
pronunciar as duas palavras juntas e lecionar para quem as pronuncia,
contraproducente.
No caso de "DRM" Stallman encontrou uma estratégia mais adequada, que
foi a de modificar a atribuição do "R" na sigla -- de "Rights" para
"Restrictions". Essa estratégia (semiológica) consiste em manter a
referência (a sigla), para não desviar o fio da compreensão do ouvinte,
mas modificar o referente desta em relação ao dele, o suficiente para
inverter o sentido negativo que este aponta. No caso de "PI" eu tenho
adotado essa estratégia modificando a referência do "I", declinando a
sigla como "Propriedade Imaterial".
Entretanto, com o adjetivo "viral" a referência é uma palavra, e não uma
sigla, o que torna mais difícil a operação. Ou seja, a tarefa de manter
a referência (o uso da palavra) enquanto se a faz referir a algo que
inverte seu sentido negativo habitual. Para invertermos o sentido
negativo habitual de "viral" precisamos evocar um referente cultural do
ouvinte no qual a palavra tenha uma conceituação boa, associável ao de
transmitir as características positivas (de liberdade) aos produtos
derivados. Mas, em geral, não sabemos como um ouvinte estaria inclinado
a considerar "viral" algo "bom" (vírus é um ótimo agente de FUD).
Eu consigo inverter a "maldade" do referente, seguindo a analogia
biológica que o Alexandre Oliva usa, mas não sem abandonar a referência
(o uso da palavra "viral"). Digo que a GPL é uma licença não
propriamente viral, mas SEXUADA, pois permite o cruzamento do seu código
genético (código fonte) na procriação de softwares derivados.
Ao contrário das EULAs, que são licenças ASSEXUADAS, que não permitem o
cruzamento do código genético do seu objeto, do código fonte do software
licenciado em produtos derivados. E que a reprodução sexuada foi um
avanço da natureza, para a evolução das espécies, em relação à
reprodução assexuada (além de ser mais divertida ;-).
Ricardo L. A. Banffy escreveu:
> Eu acho que devíamos abraçar o termo "viral" e tirar o sentido negativo
> dele. É uma licença "viral" porque transmite as suas características aos
> produtos derivados.
>
> Se não fizermos isso, os nossos inimigos (na verdade, são eles que têm
> muito medo de nós) vão continuar usando a palavra "viral" e nós vamos
> continuar tendo que explicar. Eles continuam nos atingindo com a mesma
> arma e continuamos na defensiva.
>
> Não é mais do que sensato desarmá-los sempre que pudermos. Não adianta
> nos esquivarmos das porradas - precisamos é tomar deles o bastão.
>
> Rafael Evangelista wrote:
>> Essa metáfora tem uma carga negativa que muito me desagrada, por isso
>> prefiro (assim como vários defensores da liberdade) o termo que
>> indica
>> a liberdade como algo bom como uma herança, e não ruim como um vírus.
>>
>> > Liberdade nao eh bem nem herança (isso quem tem sao os
>> abastados, as
>> > palavras bem e herança cabem para imoveis e dinheiro).
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