Re: [PSL-Brasil] Nada de pedágio na internet
Dennis
freedennis em gmail.com
Terça Junho 20 16:58:31 BRT 2006
E a proposta do mais novo Apartheid, e em pleno século XXI!
Inté,
--
Dennis S. Faria
Comunicadores On-Line
Jabber: dennisfaria em jabber.org
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Visitem!
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The earth is not dying, it is being killed, and those who are killing
it have names and addresses!
2006/6/20, Edgard Piccino <epiccino em gmail.com>:
> Nada de pedágio na internet
>
>
> Lawrence Lessig * , Robert W. McChesney *
>
> O Congresso americano está prestes a realizar uma votação histórica
> sobre o futuro da internet. Decidirá se a internet vai permanecer uma
> tecnologia livre e aberta que fomenta a inovação, o crescimento
> econômico e a comunicação democrática ou se será transformada em
> propriedade de empresas a cabo e companhias telefônicas, que poderão
> colocar cabines de pedágio em todos os acessos e saídas da
> auto-estrada da informação.
>
> No centro deste debate está a mais importante política pública da
> qual provavelmente você nunca ouviu falar - a "neutralidade na rede".
>
> Neutralidade na rede significa simplesmente que todo o conteúdo na
> internet deve ser tratado da mesma forma e movimentado pela rede à
> mesma velocidade. Os proprietários da fiação da internet não podem
> fazer discriminação. Este é o projeto simples, mas brilhante, "de
> ponta a ponta" da internet que fez dela uma força tão poderosa para o
> bem econômico e social - todas as informações e o controle são
> detidos pelos produtores e usuários, e não pelas redes que os
> conectam.
>
> As proteções que garantiam a neutralidade da rede foram uma lei desde
> o nascimento da internet - vigorando até o ano passado, quando a
> Federal Communications Commission (Comissão Federal de Comunicações)
> eliminou as normas que impediam as empresas a cabo e de telefonia de
> discriminar provedores de conteúdo. Isso desencadeou uma onda de
> anúncios da parte de diretores-presidentes de empresas telefônicas
> dizendo que planejam fazer exatamente isso.
>
> Agora o Congresso está diante de uma decisão. Vamos devolver a
> neutralidade à rede e manter a internet livre? Ou vamos deixar que
> ela morra nas mãos dos proprietários de redes que estão ansiosos para
> se transformarem em guarda-cancelas do conteúdo? As implicações de se
> perder para sempre a neutralidade da rede não poderiam ser mais
> graves.
>
> A atual legislação, que conta com o respaldo de empresas como AT&T,
> Verizon e Comcast, permitirá que as firmas criem diferentes camadas
> de serviços online. Elas poderão vender acesso à via expressa para
> grandes empresas e relegar todos os demais ao equivalente digital a
> uma tortuosa estrada de terra. Pior ainda: esses guardiães
> determinarão quem vai ter tratamento especial e quem não vai.
>
> A idéia deles é se postar entre o provedor de conteúdo e o
> consumidor, exigindo um pedágio para garantir um serviço de qualidade.
> É o que Timothy Wu, um especialista em política da internet da
> Columbia University, chama de "modelo de negócios Tony Soprano
> (personagem que é chefe da máfia da série de televisão Família
> Soprano)". Ou seja, extorquindo dinheiro para proteção de todos os
> sites na web - desde o menor dos blogueiros até o Google -, os
> proprietários de rede terão imensos lucros.
>
> Sem a neutralidade da rede, a internet começaria a ficar parecida com
> a TV a cabo. Uma meia dúzia de grandes empresas controlarão o acesso
> ao conteúdo e sua distribuição, decidindo o que você vai ver e quanto
> vai pagar por isso. Os grandes setores como os de assistência médica,
> finanças, varejo e jogo vão se defrontar com enormes tarifas para o
> uso rápido e seguro da web - todos sujeitos a negociações
> discriminatórias e exclusivas com as gigantes da telefonia e da
> telefonia a cabo.
>
> Perderemos a oportunidade de expandir vastamente o acesso e a
> distribuição de notícias independentes e de informações comunitárias
> por meio da televisão de banda larga. Mais de 60% do conteúdo da web
> é criado por pessoas comuns, e não por empresas. Como essa inovação e
> produção vão progredir se seus criadores vão precisar pedir permissão
> a um cartel de proprietários de rede?
>
> O cheiro dos lucros caídos do céu paira no ar em Washington. As
> empresas de telefonia estão fazendo o máximo possível para legislar
> para si mesmas o poder do monopólio. Estão gastando milhões em
> dólares em propaganda nos círculos do poder em Washington, em
> lobistas muito bem pagos, em firmas de pesquisa e consultoria que
> podem ser "compradas" e em operações de falsas bases populares com
> nomes Orwellianos como Hands Off the Internet e NetCompetition.org.
>
> A elas se opõem uma coalizão de verdadeiras bases populares de mais
> de 700 grupos, 5 mil blogueiros e 750 mil americanos que se
> arregimentaram para apoiar a neutralidade da rede no site
> www.savetheinternet.com. A coalizão é de esquerda e de direita,
> comercial e não comercial, pública e privada. Conta com o apoio de
> instituições das mais diversas áreas. Inclui também os fundadores da
> internet, as marcas famosas do Vale do Silício e um bloco de
> varejistas, inovadores e empreendedores. Coalizão de tais amplitude,
> profundidade e determinação são raras na política contemporânea.
>
> A maioria dos grandes inovadores da história da internet começou na
> garagem de suas casas, com grandes idéias e um pequeno capital. Isso
> não é por acaso. As proteções à neutralidade da rede minimizaram o
> controle pelos proprietários de rede, maximizaram a competição e
> convidaram forasteiros a inovar. A neutralidade da rede garantiu um
> mercado livre e competitivo para o conteúdo da internet. Os benefícios
> são extraordinários e inegáveis.
>
> O Congresso está decidindo o futuro da internet. A questão que se
> apresenta é simples: deve a internet ser entregue à meia dúzia de
> empresas a cabo e de telefonia que controlam o acesso online de 98%
> do mercado de banda larga? Somente um Congresso cercado por lobistas
> de telecomunicações de alto preço e recheado com contribuições para
> campanha poderá possivelmente considerar um tal ato absurdo.
>
> As pessoas estão acordando para o que está em jogo, e suas vozes
> estão ficando cada vez mais altas a cada dia que passa. À medida que
> milhões de cidadãos forem se dando conta dos fatos, a mensagem para o
> Congresso será clara: Salvem a internet.
> * Lawrence Lessig é professor de Direito na Stanford University e
> fundador do Center for Internet and Society (Centro de Internet e
> Sociedade).
>
> * Robert McChesney é professor de Comunicações na Universidade de
> Illinois em Urbana-Champaign e co-fundador da entidade para
> reformulação da mídia Free Press.
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