Re: [PSL-Brasil] Re: GNOME lança programa para incentivar mulheres desenvolvedoras
Pedro de Medeiros
pedro.medeiros em gmail.com
Domingo Junho 25 12:56:45 BRT 2006
On 6/25/06, Fábio Emilio Costa <hogwartslinux em yahoo.com.br> wrote:
> > Pois eu tenho uma surpresa pra você, o paradigma do "cérebro masculino"
> > e "cérebro feminino" é uma verdade tão forte e comprovada que já se
> > tornou parte integrante da ciência cognitiva, sem grandes contestações
> > exceto em uma ou outra conclusão minuciosa de alguma pesquisa com
> > metodologia falha. É sabido que homens e mulheres têm mentes diferentes
> > em geral, e me espanta estar contestando isso se você mesma implicou
> > esse mesmo fato nas suas citações.
> >
> > E convenhamos, os "homens" não estão tentando provar que algo é verdade
> > ou mentira. Não existem "os homens" no sentido de um complô contra as
> > mulheres, e se existem homens machistas também existem mulheres machistas.
>
> Acho que o que está em discussão aqui não é se homens ou mulheres
> possuem cérebros diferentes. Você mostra-se como alguém que acha que
> tudo é genético (ser gay é genético, mulher não mexe bem com comps por
> causa da genética...), mas tou com as Chix: acredito que a diferença
> maior é que mulheres em geral NÃO MEXEM com computador por do nosso
> paradigma social muito WAMP (White/Anglican/Man/Protestant). Não
> sugiro uma revolução radical, mas sim uma evolução.
A questão do cérebro ser diferente não é questão de genética, mas do
desenvolvimento de características do indivíduo ligadas ao sexo.
Digamos que, em realidades alternativas, duas pessoas tem exatamente o
mesmo genótipo, distinguindo-se apenas que, em uma delas, o cromosso
sexual é o Y no lugar do X, mas mesmo as porções do X e Y que são
compartilhadas são iguais nessas duas pessoas. Consideremos ainda que
os dois indivíduos são "saudáveis" e "normais" e plenamente capazes de
exercer todas as atividades de desenvolvimento motor, intelectual e
afetivo.
Ainda assim, os dois indivíduos já serão extremamente diferentes (nos
seus fortes e fracos), só por conta das características que se
desenvolvem diferente por causa do sexo (e isso sem falar ainda das
questões culturais e sociais).
E o termo correto é WASP: white anglo-saxon protestant. Mas isso não
vem ao caso, porque não estamos discutindo genética ou a relevância
que pessoas desse perfil tem com esses argumentos.
> > Se 50% da população é homem e 50% é mulher, e 50% dos cargos de chefias
> > são ocupados por homens e 50% ocupados por mulheres, temos injustiça.
> > Por quê? Porque os homens, segundo os pressupostos acima, têm duas vezes
> > mais representantes de "capacidade de liderança" do que as mulheres. No
> > entanto, conseguem duas vezes menos essas vagas, dado que apesar da
> > quantidade igual têm proporção igual à das mulheres. Se temos 1000
> > pessoas e 90 vagas de chefia, 45 homens e 45 mulheres as ocuparam; no
> > entanto, temos (60%*500=)300 homens com capacidade de liderança e apenas
> > (40%*500)200 mulheres com capacidade de liderança. Apenas 15% dos homens
> > com mesma capacidade que as mulheres conseguiu vagas, enquanto a
> > porcentagem das mulheres foi de 22,5%.
>
> Patola, sinto muito, mas você agora deu uma bola fora:
>
> Primeiro, (ainda) não foi comprovado nada de "gene da liderança";
Fazendo-se justiça, o Patola simplicou a questão toda para facilitar a
compreensão, não para facilitar descartar toda a lógica do argumento,
transformando o num homem de palha. Isso seria fácil demais, já que o
próprio Patola fez todo o serviço por você, mas não foi essa a
intenção dele. A intenção foi o entendimento.
Então, não faça isso: não pegue o exemplo, sem as considerações
anteriores, e transforme na regra. O próximo passo nesse engano seria
desconsiderar também que ele disse, para efeitos de simplificação, que
no exemplo anterior estamos mapeando a capacidade de liderança para o
gene da liderança apenas (e desconsiderando todos os outros
irreconhecíveis e imapeáveis fatores), e passar a acusar pessoas de
serem eugenistas. A discussão terá irremediavelmente caído de nível
até o fundo do poço.
A questão da genética é perigosa (porque pode cair no argumento
eugenista de capacidades e limitações inatas), mas ela não precisa ser
o único argumento.
Existem características adquiridas por incentivo ao desenvolvimento
intelectual, pelo desenvolvimento hormonal e social que contribuem
para a formação do indivíduo. E esse desenvolvimento deve acontecer
até uma certa idade na criança. Como essas características são parte
integrante do meio onde ela vive, é como se elas fossem inatas, mas
elas não são.
Então, o certo seria mudar o meio em que a criança vive para que ela
compreenda todas as realidades e caminhos que ela poderia desenvolver
e deixar que a própria criança escolha, seja por vontade e aptidão,
qual ela quer seguir.
Agora, se ainda assim e depois disso, a criança do sexo masculino
escolher com mais freqüência as atividades técnicas (seja por alguma
característica do desenvolvimento cerebral, como se diz) do que as
mulheres, espero que fique descartar totalmente a questão de machismo
na hora de decidir que tipo de carreira a pessoa quer. Nessa
realidade, políticas de incentivo serão puramente injustiças.
[]'s!
--
Pedro de Medeiros - Computer Science - University of Brasília
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