Oi Ufa, <br> <br> Muito válido e pertinente o forward desta mensagem para esta lista. No entanto, independente da opção política que cada um da lista tenha e por mais que em segundo turno as questões se polarizem. Como paulista, que morou os últimos 5 anos na cidade de São Paulo e conhece o movimento paulista de inclusão digital mais a fundo, eu concordo com alguns pontos do texto do Anahuac e discordo de outros. <br> <br> Na questão do projeto Telecentros, a crítica é verdadeira e realmente o projeto caiu de qualidade. Eu digo isso pelo que ouvi de amigos meus do movimento paulista que trabalham nos Telecentros como também da dificuldade pessoal que tive de entrar em contato com e a equipe pedagógica do projeto Telecentro da gestão Serra para fazer a devolução dos meus dados de pesquisa. A questão é que a minha pesquisa se deu no último semestre da gestão da Marta Suplicy e eu só consegui fazer a devolução de dados para pessoas que eram do projeto Telecentro e que
depois vieram trabalhar com inclusão digital no governo federal. Foi mais fácil falar com o Sérgio Amadeu que era presidente do ITI e ocupadíssimo, do que com a equipe pedagógica da gestão Telecentros do Serra. Enfim, mandei umas 20 mensagens e eles não demonstraram nenhum interesse pelo meu trabalho. No entanto, quando um jornalista americano quis saber do projeto Telecentro, e eu entrei em contato com o site, no dia seguinte o responsável pela parte de comunicação agradeceu a minha mensagem e deu a entrevista para o jornalista americano da Digital Divide Network, que é a lista onde se concentra o movimento mundial. Aí eles mostraram interesse e responderam rapidamente. O projeto Telecentro realmente andou pra trás na gestão do Serra. Isso é um fato concreto. <br> <br> No entanto, o governo estadual de São Paulo tem o projeto Acessa São Paulo, que é coordenado por um amigo meu o Ricardo Kobashi que é extremamente competente e defensor do software livre. O Acessa São Paulo
só usa software livre, é um dos maiores e principais projetos do país, e a equipe pedagógica que capacita os educadores do projeto é formada por pesquisadores da Escola do Futuro da USP do LIDEC. A critica ao Telecentro é construtiva e positiva, mas no debate não podemos esquecer do projeto Acessa São Paulo que é um dos maiores e melhores do país. <br> <br> Já no quesito MEC tem um complicador aí na questão software livre. A questão é que houve um grande corte de verbas no PROINFO e isso deu margem para que o lobby da Microsoft corresse solto no ministério. A equipe do PROINFO estava sem grana e de repente vem um projeto da Microsoft, oferecendo software Windows de graça para as escolas públicas e um curso de especialização para os diretores da escola também de graça. E infelizmente a gestão atual do PROINFO achou esta oferta linda e maravilhosa e aceitou este lobby dentro do ministério e o projeto Gestores ganhou vários prêmios nacionais, independente das
questões éticas que estivessem por trás. Houve treinamentos em software livre em escolas do MEC principalmente no sul do país, mas também as escolas receberam ao preço de 10 reais software da Microsoft. E a grande verdade é que a maioria dos professores das escolas do MEC optaram pelo Windows e pacote office por 10 reais e não pelo software livre. Houve avanços na questão do software livre, mas também houve retrocessos no processo de inclusão digital do MEC e por isso acho que a questão deve ser vista com cautela. Enfim, os professores queriam Windows e Microsoft Office e o PROINFO satisfez a demanda e vontade dos professores junto com o apoio da Microsoft que não só deu o software como também curso de especialização gratuito para as escolas usarem os seus softwares e isso foi omitido pelo Anahuac, talvez por desconhecimento de causa. <br> <br> Eu defendo que a questão do software livre é uma bandeira do PT e as gestões petistas foram fundamentais para criar
mudar esta cultura em prefeituras e estados e na área federal. No entanto, no quesito inclusão digital com software livre na administração pública avançou com os anos e é um movimento mundial com forte tendência principalmente nas admistrações dos países europeus, o que vem chamando atenção de vários partidos. Eu acho que o PT teve sim um importante papel neste processo, mas eu acho que não é mais apenas uma bandeira do PT e ela abrange outros partidos políticos também. Talvez falte ao PSDB a tradição que o PT tem nesta área. Por exemplo, na cidade de São Paulo temos vários candidatos que defendem como política pública a questão de inclusão digital com software livre com propostas bem fundamentadas. Mas isso não ocorre muito aqui no DF, é uma realidade mais da cidade e do estado de São Paulo. <br><br> Eu não quero entrar muito na questão partidária, mas acho que independente do partido político, o PT de São Paulo fez muitas coisas boas em prol da inclusão digital com
software livre, mas o PSDB também fez a sua parte com o Acessa São Paulo, mas deixou muito a desejar no projeto Telecentro São Paulo. O movimento paulista de inclusão digital não é tão polarizado como coloca o Anahuac, venho de lá e conheço até mais o movimento paulista do que o do DF e acho que a questão tem que ser vista com mais criticidade e sem excluir fatos (tais como um projeto da proporção do Acessa São Paulo). <br> <br> No entanto, a questão da pirataria eu achei meio complicado o posicionamento do PSDB e acho que o Anahuac tem razão na sua crítica. Eu prefiro fazer a minha crítica apenas na minha seara do conhecimento que é a da inclusão digital e o movimento paulista de inclusão digital de onde provenho, porque as demais áreas eu não tenho conhecimento suficiente.<br> <br> Por favor, peço para não mandarem forward para a lista do PSL Brasil pois preferi apenas emitir a minha opinião apenas nesta lista, que é menos tumultuada
que a outra e pelo fato da maioria dos membros me conhecerem - o que não acontece lá. <br> <br> Beijos, <br> Ana Maria. <br> <br><b><i>Ufa <ufa.ogros@gmail.com></i></b> escreveu:<blockquote class="replbq" style="border-left: 2px solid rgb(16, 16, 255); margin-left: 5px; padding-left: 5px;"> ---------- Mensagem encaminhada ----------<br>From: "Paulino Michelazzo" <paulino @michelazzo.com.br=""><br>To: Subject: De volta ao começo<br><br><br>Se Lula já dizia pouco sobre software livre em seu programa de<br>governo, o candidato tucano arrasa de vez com as iniciativas<br>existentes, abre as portas para a indústria multinacional e se torna<br>xerife das grandes corporações em nosso país. Baseado no discurso de<br>legalidade, o ex-governador é a síntese de tudo aquilo que vai contra<br>o capital financeiro e a favor da liberdade do conhecimento.<br><br>Lula fez pouco. Em seus quatro anos a frente da nação, seu programa<br>para Tecnologia da Informação em nosso país ficou
aquém do esperado<br>tanto pelas empresas do setor quanto pelos usuários. Inclusão digital,<br>certificação, FUST, TV digital e outros assuntos foram muitas vezes<br>tratados de forma ambígua ou como bandeira de luta entre facções<br>dentro do próprio governo. Mas é inegável que existiram avanços. A<br>certificação digital e todas as áreas ligadas avançou, alguns projetos<br>de inclusão digital apareceram pelas mãos do ITI, Banco do Brasil, CEF<br>e outros órgãos e algumas mudanças no setor corporativo começaram a<br>caminhar.<br><br>No tocante ao software livre, também foram vistos avanços, pequenos<br>mas aconteceram. Repartições públicas começaram suas migrações<br>alavancadas pela comunidade que, de uma forma ou de outra, suportou<br>tecnicamente as investidas do poder público neste segmento tão<br>agarrado ao modelo de software proprietário. Isto levou à governos<br>estaduais e prefeituras de todo o país um novo modelo de gestão e<br>trato dos assuntos relacionados
com a tecnologia de forma que antes<br>não seria possível.<br><br>Na mesma linha, a inclusão digital teve seus passos dados sobre a<br>plataforma livre. Projetos de inclusão do Instituto de Tecnologia da<br>Informação, MEC, BB, CEF e outros pipocaram pelas cinco regiões<br>levando com o apoio nem sempre funcional do Gesac, conhecimento,<br>educação e a oportunidade de inserção dos usuários destas comunidades<br>na grande rede e também na sociedade tecnológica dos dias de hoje.<br><br>Mas e daqui adiante? O que pode esperar esta crescente comunidade do<br>próximo presidente? De um lado a promessa de manutenção do que já<br>existe com melhorias e, de outro, a visível adoção do discurso<br>americanizado pregando a liberdade vigiada, preferencialmente por<br>licenças, copyrights e DRM's.<br><br>Disponível hoje na mídia nacional, o programa de governo do candidato<br>tucano sutilmente apresenta um discurso voltado às grandes indústrias<br>e lobbies de segmentos importantes da
tecnologia principalmente a<br>indústria de software e empresas de telecomunicações. Nele, promete a<br>caça às bruxas por meio do aperfeiçoamento da legislação e punição dos<br>piratas, além da redução de arrecadação visando o bem-estar de<br>empresas norte-americanas e européias quando do envio de royalties ao<br>exterior.<br><br>A necessidade de aperfeiçoamento destas leis não é senão o principal<br>interesse norte-americano, permitindo inclusive, como na América, ser<br>a liberdade vigiada pelos mais diversos meios tecnológicos. Na verdade<br>nossa legislação relacionada a direitos autorais é funcional em sua<br>grande parte, sendo necessária a efetiva aplicação da mesma e claro,<br>modificações no tocante aos novos e modernos assuntos sem usar<br>terminologia arcaica como "telemática", dinamizando as leis para que<br>atendam à todos e não somente à alguns. Mas a intenção não é esta. É<br>colocar dentro do mesmo balaio a punição dos piratas atendendo aos<br>desejos e
pressões da indústria, principalmente de entretenimento<br>norte-americana junto com a flexibilização de nossas leis, permitindo<br>que desmandes como os apresentados nas culturas do norte possam aqui<br>ser aplicados.<br><br>Prova cabal que o programa é voltado à esta indústria está no ponto<br>onde a redução de impostos para o envio de royaties ao exterior é<br>comentado. Ora, quem são os beneficiários desta ação? Somente a<br>indústria deles pois nós brasileiros que produzimos softwares, não<br>enviamos royalties para ninguém. Então, qual a vantagem para nós?<br>Somente a aquisição de produtos como Windows com preços módicos e mais<br>um sangramento do estado para o benefício das grandes corporações.<br><br>Na mesma linha de ambiguidades, o programa de governo cita a redução<br>de impostos da telefonia e também o projeto de levar banda larga para<br>todos os municípios brasileiros. No mínimo uma piada de mau gosto.<br>Reduz-se impostos para o benefício das companhias
(que já possuem<br>lucros absurdos) e, ao mesmo tempo, sinaliza com uma obra faraônica<br>digna de um Maluf dos anos 2000: uma infovia de cabos e antenas de<br>satélite que levariam 15 anos para ser construída (se fosse<br>construída), retornando todo o FUST para as companhias telefônicas<br>estrangeiras. Não sou contra a idéia, mas sim contra sua inviabilidade<br>e principalmente contra o discurso populista que se apresenta. Ou<br>alguém acredita que a Brasil Telecom vai levar banda larga para<br>Lucialva, no Mato Grosso com 100% de funcionamento?).<br><br>Claro que nestes planos ambiciosos, atitudes mais simples e eficientes<br>como a redução de impostos para a micro e pequena indústria nacional<br>de software foi polidamente esquecida. Infelizmente os pequenos, mesmo<br>sendo mais de 60% do PIB, não são 60% dos votos e tampouco 60% da<br>arrecadação necessária para a campanha, financiada pelos grandes<br>conglomerados que desejam a todo o custo um governo que seja
mais<br>flexível com questões de seus impostos e mais duro quando o assunto<br>for seus produtos.<br><br>Finalmente o software livre passa anos-luz de seu projeto de governo,<br>lição sabiamente aprendida com seu colega de partido e governador<br>eleito de São Paulo, José Serra que dizimou o projeto Telecentros<br>dentro da cidade. Em sua rápida gestão, foi promovida uma verdadeira<br>revolução na troca de Linux para o rico e financiador Windows,<br>sinalizando assim que muito novamente irá mudar numa possível gestão<br>federal: upgrade para Windows Vista.<br><br>Não me admira tal projeto de governo. Bem escrito, sem ataques diretos<br>mas com entrelinhas negritadas dizendo àqueles que interessam o que<br>realmente será feito. Infelizmente mais uma vez estas linhas não são<br>para a comunidade de software livre nacional e tampouco para os<br>pequenos que almejam uma política de TI correta para nosso país.<br><br>Pior do que está, pode ficar. É só votar.<br>Fonte:
http://www.michelazzo.com.br/content/view/735/124/<br>-- <br>Paulino Michelazzo<br>http://www.fabricalivre.com.br<br>Mobile Phone: +55 11 7693-1838<br>São Paulo/SP: +55 11 3717-2386<br>João Pessoa/PB: +55 83 3235-4386<br><br>_______________________________________________<br>PSL-Brasil mailing list<br>PSL-Brasil@listas.softwarelivre.org<br>http://listas.softwarelivre.org/mailman/listinfo/psl-brasil<br>Regras da lista:<br>http://twiki.softwarelivre.org/bin/view/PSLBrasil/RegrasDaListaPSLBrasil<br>_______________________________________________<br>PSL-DF mailing list<br>PSL-DF@listas.softwarelivre.org<br>http://listas.softwarelivre.org/cgi-bin/mailman/listinfo/psl-df<br></paulino></blockquote><br><p> 
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