From fabs em estudiolivre.org Fri Oct 10 10:32:44 2008 From: fabs em estudiolivre.org (Fabianne Balvedi) Date: Fri Oct 10 10:32:51 2008 Subject: [PSL-mulheres] ABSURDO Machismo na revista TRIP Message-ID: <4431f9b20810100632w598d2feeoc3838fddfae69c7f@mail.gmail.com> Gurias, olhem isso: http://interfaceg2g.org/node/598#comment-1498 eu vou escrever à TRIP com certeza. bjx -- ,_~o _-\_<, (*)/'(*) vote bike! -- Fabianne Balvedi GNU/Linux User #286985 http://fabs.tk -------------- Próxima Parte ---------- Um anexo em HTML foi limpo... URL: http://listas.softwarelivre.org/pipermail/psl-mulheres/attachments/20081010/74040d75/attachment.html From carlacvic em gmail.com Wed Oct 15 17:00:52 2008 From: carlacvic em gmail.com (Carla Vicente) Date: Wed Oct 15 17:01:03 2008 Subject: [PSL-mulheres] ABSURDO Machismo na revista TRIP In-Reply-To: <4431f9b20810100632w598d2feeoc3838fddfae69c7f@mail.gmail.com> References: <4431f9b20810100632w598d2feeoc3838fddfae69c7f@mail.gmail.com> Message-ID: Parabéns pela sua atitude Fabianne! Acredito que esboçar a sua indignação seja o início não apenas de mais um debate sobre violência, mas de uma possível reação. Nós, mulheres, inseridas ou não na informática, devemos ser mais participantes quanto a questões sociais de grande importância e magnitude, como a violência e inclusão social. Infelizmente, não tenho visto movimentação na lista desde algum tempo. Será que foi tudo fogo de palha? Quando passaremos da conversa para a ação? Reflitam. Continuo aqui. Carla. 2008/10/10 Fabianne Balvedi > Gurias, olhem isso: > > http://interfaceg2g.org/node/598#comment-1498 > > eu vou escrever à TRIP com certeza. > > bjx > > -- > > ,_~o > _-\_<, > (*)/'(*) vote bike! > > -- > Fabianne Balvedi > GNU/Linux User #286985 > http://fabs.tk > > _______________________________________________ > PSL-Mulheres mailing list > PSL-Mulheres@listas.softwarelivre.org > http://listas.softwarelivre.org/cgi-bin/mailman/listinfo/psl-mulheres > > -------------- Próxima Parte ---------- Um anexo em HTML foi limpo... URL: http://listas.softwarelivre.org/pipermail/psl-mulheres/attachments/20081015/9bce79d2/attachment.html From annafrank em uol.com.br Wed Oct 15 18:43:00 2008 From: annafrank em uol.com.br (annafrank) Date: Wed Oct 15 18:43:09 2008 Subject: [PSL-mulheres] =?iso-8859-1?q?Banaliza=E7=E3o_da_Mulher!?= Message-ID: Tentei enviar um e-mail para ele mas voltou segue as desculpas dele: Nota de Henrique Goldman “Prezados leitores, Antes de mais de nada, preciso esclarecer algo: nunca estuprei ninguém na minha vida. Nunca tive uma empregada chamada Luisa, e nem estudei com qualquer Sheilinha ou Adalberto. Meu único ‘crime’ foi ter feito um texto ficcional sem deixar isso claro. Estou muito abalado com tantas mensagens agressivas que recebi. Me arrependo muito de ter criado este mal-entendido num mundo já tão cheio de merda e incompreensão. Posso ser um puta chato, péssimo colunista e pensador ordinário, mas não seria capaz de cometer crime algum, muito menos um tão hediondo. Me desculpo também com os editores da Trip por qualquer transtorno.” Henrique Goldman -------------- Próxima Parte ---------- Um anexo em HTML foi limpo... URL: http://listas.softwarelivre.org/pipermail/psl-mulheres/attachments/20081015/d61bc732/attachment.htm From carlacvic em gmail.com Wed Oct 15 21:12:27 2008 From: carlacvic em gmail.com (Carla Vicente) Date: Wed Oct 15 21:12:33 2008 Subject: =?ISO-8859-1?Q?Re:_[PSL-mulheres]_Banaliza=E7=E3o_da_Mulher!?= In-Reply-To: References: Message-ID: Agora quer safar-se com a desculpa de ser colunista... 2008/10/15 annafrank > Tentei enviar um e-mail para ele mas voltou segue as desculpas dele: > > > > > > > *Nota de Henrique Goldman* > > "Prezados leitores, > > Antes de mais de nada, preciso esclarecer algo: nunca estuprei ninguém na > minha vida. Nunca tive uma empregada chamada Luisa, e nem estudei com > qualquer Sheilinha ou Adalberto. Meu único 'crime' foi ter feito um texto > ficcional sem deixar isso claro. Estou muito abalado com tantas mensagens > agressivas que recebi. Me arrependo muito de ter criado este mal-entendido > num mundo já tão cheio de merda e incompreensão. Posso ser um puta chato, > péssimo colunista e pensador ordinário, mas não seria capaz de cometer crime > algum, muito menos um tão hediondo. Me desculpo também com os editores da > Trip por qualquer transtorno." > > > Henrique Goldman > > _______________________________________________ > PSL-Mulheres mailing list > PSL-Mulheres@listas.softwarelivre.org > http://listas.softwarelivre.org/cgi-bin/mailman/listinfo/psl-mulheres > > -------------- Próxima Parte ---------- Um anexo em HTML foi limpo... URL: http://listas.softwarelivre.org/pipermail/psl-mulheres/attachments/20081015/5d2a7bcc/attachment.html From rafaelkafka em gmail.com Wed Oct 15 21:17:34 2008 From: rafaelkafka em gmail.com (Rafael Kafka) Date: Wed Oct 15 21:17:40 2008 Subject: =?ISO-8859-1?Q?Re:_[PSL-mulheres]_Banaliza=E7=E3o_da_Mulher!?= In-Reply-To: References: Message-ID: <51394c260810151617s32c22148i7947fd57fdc0669@mail.gmail.com> O mais estranho é que nenhum dos textos dele é de ficção.Simplesmente nojento. Rafael Kafka "Dubito ergo cogito, cogito ergo sum" | GNU BIGLINUX 3.0 | Gentoo GNU/Linux 2007.0 | | FreeBSD 6.2 | | GNU/Linux user: #393659 | 2008/10/15 Carla Vicente > Agora quer safar-se com a desculpa de ser colunista... > > 2008/10/15 annafrank > >> Tentei enviar um e-mail para ele mas voltou segue as desculpas dele: >> >> >> >> >> >> >> *Nota de Henrique Goldman* >> >> "Prezados leitores, >> >> Antes de mais de nada, preciso esclarecer algo: nunca estuprei ninguém na >> minha vida. Nunca tive uma empregada chamada Luisa, e nem estudei com >> qualquer Sheilinha ou Adalberto. Meu único 'crime' foi ter feito um texto >> ficcional sem deixar isso claro. Estou muito abalado com tantas mensagens >> agressivas que recebi. Me arrependo muito de ter criado este mal-entendido >> num mundo já tão cheio de merda e incompreensão. Posso ser um puta chato, >> péssimo colunista e pensador ordinário, mas não seria capaz de cometer crime >> algum, muito menos um tão hediondo. Me desculpo também com os editores da >> Trip por qualquer transtorno." >> >> >> Henrique Goldman >> >> _______________________________________________ >> PSL-Mulheres mailing list >> PSL-Mulheres@listas.softwarelivre.org >> http://listas.softwarelivre.org/cgi-bin/mailman/listinfo/psl-mulheres >> >> > > _______________________________________________ > PSL-Mulheres mailing list > PSL-Mulheres@listas.softwarelivre.org > http://listas.softwarelivre.org/cgi-bin/mailman/listinfo/psl-mulheres > > -- -------------- Próxima Parte ---------- Um anexo em HTML foi limpo... URL: http://listas.softwarelivre.org/pipermail/psl-mulheres/attachments/20081015/55e03c9a/attachment.htm From annafrank em uol.com.br Wed Oct 15 21:52:16 2008 From: annafrank em uol.com.br (annafrank) Date: Wed Oct 15 21:52:25 2008 Subject: =?iso-8859-1?b?UmU6IFtQU0wtbXVsaGVyZXNdIEJhbmFsaXph5+NvIGRh?= =?iso-8859-1?b?IE11bGhlciE=?= Message-ID: Mandei essa noticia para ele ter ideia do que representa o infeliz texto que escreveu, é preciso pensar antes de escrever, agora pergunto a TRIP não tem o copidesc? nem revisor de conteudo? se fosse assinante teria cancelado a assinatura. 12 de outubro de 2008 SÃO PAULO - Uma estudante de 17 anos sofreu abuso sexual e tentativa de homicídio dentro de uma escola no bairro Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo, neste domingo. Nenhum suspeito foi detido até o momento. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) informa que as investigações serão realizadas pelo 54º DP. Segundo o boletim de ocorrência, uma testemunha encontrou a menina caída no chão, praticamente sem roupas, com pedaços de arame enrolados no pescoço e uma pedra sobre sua cabeça. A jovem foi socorrida por uma unidade de resgate e encaminhada ao Pronto-Socorro do Hospital Cidade Tiradentes, onde segue internada, em estado grave, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). No começo da tarde desta segunda-feira, a polícia informou ter encontrado grande quantidade de sangue no chão e na parede do local onde ela foi localizada. As investigações continuam nesta terça-feira. Agora quer safar-se com a desculpa de ser colunista... 2008/10/15 annafrank > > Tentei enviar um e-mail para ele mas voltou segue as desculpas dele: > > > > > > Nota de Henrique Goldman "Prezados leitores, Antes de mais de nada, preciso esclarecer algo: nunca estuprei ninguém na minha vida. Nunca tive uma empregada chamada Luisa, e nem estudei com qualquer Sheilinha ou Adalberto. Meu único 'crime' foi ter feito um texto ficcional sem deixar isso claro. Estou muito abalado com tantas mensagens agressivas que recebi. Me arrependo muito de ter criado este mal-entendido num mundo já tão cheio de merda e incompreensão. Posso ser um puta chato, péssimo colunista e pensador ordinário, mas não seria capaz de cometer crime algum, muito menos um tão hediondo. Me desculpo também com os editores da Trip por qualquer transtorno." Henrique Goldman _______________________________________________ PSL-Mulheres mailing list PSL-Mulheres@listas.softwarelivre.org http://listas.softwarelivre.org/cgi-bin/mailman/listinfo/psl-mulheres -------------- Próxima Parte ---------- Um anexo em HTML foi limpo... URL: http://listas.softwarelivre.org/pipermail/psl-mulheres/attachments/20081015/c23cba08/attachment.htm From fernanda em softwarelivre.org Wed Oct 15 22:14:50 2008 From: fernanda em softwarelivre.org (Fernanda G Weiden) Date: Wed Oct 15 22:14:55 2008 Subject: =?UTF-8?Q?Re:_[PSL-mulheres]_Banaliza=C3=A7=C3=A3o_da_Mulher!?= In-Reply-To: References: Message-ID: <675965ec0810151714u5291de8cve1a43c37db74bd96@mail.gmail.com> lamentavel essa coisa da trip... 2008/10/15 annafrank : > > Mandei essa noticia para ele ter ideia do que representa o infeliz texto > que escreveu, é preciso pensar antes de escrever, agora pergunto a TRIP não > tem o copidesc? nem revisor de conteudo? se fosse assinante teria cancelado > a assinatura. > > > > > 12 de outubro de 2008 > > > > SÃO PAULO - Uma estudante de 17 anos sofreu abuso sexual e tentativa de > homicídio dentro de uma escola no bairro Cidade Tiradentes, zona leste de > São Paulo, neste domingo. Nenhum suspeito foi detido até o momento. A > Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) informa que as > investigações serão realizadas pelo 54º DP. > > Segundo o boletim de ocorrência, uma testemunha encontrou a menina caída no > chão, praticamente sem roupas, com pedaços de arame enrolados no pescoço e > uma pedra sobre sua cabeça. > > A jovem foi socorrida por uma unidade de resgate e encaminhada ao > Pronto-Socorro do Hospital Cidade Tiradentes, onde segue internada, em > estado grave, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). > > No começo da tarde desta segunda-feira, a polícia informou ter encontrado > grande quantidade de sangue no chão e na parede do local onde ela foi > localizada. As investigações continuam nesta terça-feira. > > > > > > > Agora quer safar-se com a desculpa de ser colunista... > > 2008/10/15 annafrank >> >> > >> > Tentei enviar um e-mail para ele mas voltou segue as desculpas dele: >> > >> > >> > >> > >> > >> > >> >> Nota de Henrique Goldman >> >> "Prezados leitores, >> >> Antes de mais de nada, preciso esclarecer algo: nunca estuprei ninguém na >> minha vida. Nunca tive uma empregada chamada Luisa, e nem estudei com >> qualquer Sheilinha ou Adalberto. Meu único 'crime' foi ter feito um texto >> ficcional sem deixar isso claro. Estou muito abalado com tantas mensagens >> agressivas que recebi. Me arrependo muito de ter criado este mal-entendido >> num mundo já tão cheio de merda e incompreensão. Posso ser um puta chato, >> péssimo colunista e pensador ordinário, mas não seria capaz de cometer crime >> algum, muito menos um tão hediondo. Me desculpo também com os editores da >> Trip por qualquer transtorno." >> >> >> >> Henrique Goldman >> _______________________________________________ >> PSL-Mulheres mailing list >> PSL-Mulheres@listas.softwarelivre.org >> http://listas.softwarelivre.org/cgi-bin/mailman/listinfo/psl-mulheres >> > > > _______________________________________________ > PSL-Mulheres mailing list > PSL-Mulheres@listas.softwarelivre.org > http://listas.softwarelivre.org/cgi-bin/mailman/listinfo/psl-mulheres > > -- Free Software Foundation Europe Join FSFE's fellowship today! - http://fsfe.org From fabs em estudiolivre.org Mon Oct 20 20:20:44 2008 From: fabs em estudiolivre.org (Fabianne Balvedi) Date: Mon Oct 20 20:20:51 2008 Subject: [PSL-mulheres] =?windows-1252?q?Elo=E1_-_tudo_aquilo_que_a_m=EDd?= =?windows-1252?q?ia_n=E3o_quer_falar?= In-Reply-To: <4431f9b20810201434x69b39da9n40a4f9370da79670@mail.gmail.com> References: <4431f9b20810201424m21945233te78d77a80a512a4d@mail.gmail.com> <4431f9b20810201434x69b39da9n40a4f9370da79670@mail.gmail.com> Message-ID: <4431f9b20810201520v77a8a02bq7527786b56eae63c@mail.gmail.com> Eloá. O que as mídias e os especialistas não discutem Sábado, 18 de Outubro de 2008 Há menos de 24h do trágico desfecho do seqüestro de Eloá Cristina Pimentel, por Lindemberg Alves, todos atônitos procuramos "compreender" via mediação dos meios de comunicação social e de especialistas da segurança pública, psicólogos, e outros, um fato presente cotidianamente no noticiário: o assassinato de mulheres. Muitas são as explicações que tentam dar conta do comportamento do jovem, cujo perfil durante o processo de negociação fora retratado pelos meios como de um rapaz tranqüilo, trabalhador, que tinha planos para casar. "Dificuldade de lidar com as frustrações"; "comportamento passional", "de tolerância muito baixa às frustrações", entre outros argumentos são discutidos publicamente em jornais, sites, rádio, enfim, em todo processo de agendamento desta lamentável crônica de mais uma tragédia midiatizada. Inúmeros aspectos deste acontecimento são ressaltados na cobertura: o lugar, os protagonistas, o tempo, amigos, imagens, os momentos de negociação, os lugares de origem de Eloá e Lindemberg, as imagens... Todavia há um aspecto a ser considerado nesta notícia, e que passa intocado na cobertura de crimes que possuem semelhança com o homicídio de Eloá, o fato de que eles se relacionam com as desigualdades de gênero. Se nos negarmos a discutir também nos noticiários esta face da violência, será muito difícil à superação de algo que pode ser considerado, lamentavelmente, um padrão cultural vigente, a prática de crimes contra as mulheres. Um breve monitoramento de mídia permite perceber a brutalidade e reificação de crimes como estes: eles não são apenas crimes passionais, podem ser situados numa teia complexa de construção de valores sociais que forjam um feminino fraco, vulnerável, incapaz e sem condições de decidir a própria vida, em contraposição a um modelo de masculinidade rígido e legitimado socialmente a partir da força, da dominação e do controle. São de certa maneira estes alguns dos elementos que mantém os mecanismos psíquicos do poder na constituição do sujeito e a na construção da sujeição. Perceber os gêneros como processo de mediação do social é urgente para nos darmos conta da violência contra a mulher como um fenômeno social cujo aparecimento cotidiano nas mídias também precisa ser interpretado, refletido com e a partir dos veículos de comunicação e tendo como foco o papel social dos profissionais de imprensa. A motivação de Lindemberg em manter seqüestrada Eloá e tentar por fim a vida da jovem se inter-relaciona com outros fatos conhecidos da sociedade brasileira, como os assassinatos de Ângela Diniz, Sandra Gominde, Daniela Perez, e ainda de inúmeros casos de violência e homicídios femininos que são noticiados, mas que carecem não de uma tentativa de tentar compreender o comportamento masculino, mas de questionar os valores sociais que se reproduzem nas trocas simbólicas e tecem ainda, tristemente, este predomínio do falo que oprime e extermina. O tiro na virilha de Eloá não é só uma metáfora, mas uma expressão do ódio da tentativa frustrada de continuar mantendo o exercício do controle sobre o corpo das mulheres, por isto me sinto hoje também transpassada por esta bala. Numa das notícias veiculadas sobre o Caso Eloá, dois personagens sobrenaturais surgiram: um anjinho e um diabinho que acompanhavam Lindemberg. Parece inacreditável, mas este recurso, muito comum entre homens que praticam violência contra as mulheres, aparece mais uma vez como uma máscara, uma performance que busca esconder o lado perverso de um imaginário social que em momentos como este é despertado pelos disparos protagonizados por um homem que representa os mecanismos simbólicos forjados socialmente e que negam cotidianamente às mulheres o seu direito a vida. Sandra Raquew dos Santos Azevedo, jornalista. http://etnografiasdoinvisivel.blogspot.com/2008/10/elo-o-que-as-mdias-e-os-especialistas.html ______________________________ A "crise amorosa" do Coronel Felix A justificativa do coronel Eduardo Felix para explicar porque não atiraram num sequestrador que se outorgou direito de morte sobre duas mulheres, baseou-se no mito do amor: " é um garoto de 22 anos de idade, sem antecedentes criminais e com uma crise amorosa". O criminoso, pois sequestro é crime hediondo, motivado por ódio, transforma-se em um garoto enamorado, nas mãos de quem o Coronel entregaria seu filho. O irmão de Nayara, que sabia o que estava em cena, não entrou no cativeiro. Em cena, o direito de propriedade ultrajado do macho sobre as fêmeas da espécie. A mulher que se recusa a se submeter a essa lei é morta. É mais uma a ingressar numa enorme lista. O Coronel tinha essa lei em mente. Baseado nela, seu julgamento condenou Eloá à morte. Não podemos deixar passar mais esse caso emblemático do pacto dos patriarcas sobre a posse das mulheres. A imprensa foca em quem atirou, como se não se tratasse de machos se defendendo, não importa as consequências para as mulheres.Tudo foi feito para poupar o criminoso. Até deixar a amiga entrar de novo no cativeiro! E o Serra corroborando a ação da PM. Crime passional não existe! A crime é a misoginia do sequestrador, dos policiais, do governador e da mídia! As mulheres morrem porque os homens odeiam quando elas são mulheres, elas mesmas, em vez de SUAS namoradas, SUAS esposas, SUAS mães.Não se trata de amor, trata-se de ódio. Ou isso fica claro ou nunca iremos dar conta da "violência" contra a mulher. ana reis/NEIM-UFBA _______________________________________ Quem quer e não possui... mata porque ama! "Quero Eloá, amo a Eloá", essa é a frase que se tornou símbolo do crime cometido por um homem violento e homicida. Frase que tirou o critério de crime da situação e colocou em cena a figura do homem apaixonado e desesperado pela falta do amor da sua vida. Enquanto o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar esperava durante longos cinco dias para saber se o homem violento e homicida iria se entregar, as pessoas se perguntam porquê os policiais não atiraram nele nas seis vezes que ele ficou na mira dos atiradores de elite.Vejo algumas pessoas se perguntarem de quem Eloá foi vítima. Aquela cegueira que tanto, nós feministas, denunciamos, ficou absurdamente evidente nesse caso que torturou de expectativa e medo a população brasileira. O coronel da tropa de choque de São Paulo, Eduardo José Félix, diz que se atirasse num rapaz de 22 anos em crise amorosa, todos julgariam que ele matou um rapaz sem antecedentes criminais, trabalhador, por está desesperado pela perda da namorada, sem nem ao menos esperar uma negociação. Não só eu, mas acredito que muitas e muitas pessoas tremeram ao ouvir a declaração do coronel, que ao invés de decidir cumprir seu dever como policial, na defesa e proteção da vida das adolescentes enclausuradas e ameaçadas, resolveu proteger o "pobre rapaz vítima de uma crise amorosa". Como as coisas podem ser tão distorcidas assim? Como se permite, apesar de tanto treinamento e experiência, que uma refém volte ao cativeiro? O que mais me chocou, como ser humano, foi acompanhar Eloá viva na janela, por várias vezes e depois vê-la, rodeada de policiais, com um tiro na cabeça. O que mais me chocou como mulher, foi sentir o respeito pelo "rapaz apaixonado" e o descaso pela vida das duas adolescentes que estavam com o direito de viver ou morrer nas mãos de Lindembergue. Na mídia e no ato passivo da polícia, ficou evidente que não se tratava de um bandido nem de um criminoso, mas de um rapaz com o futuro inteiro pela frente, que estava num momento de loucura. E onde fica o presente daquelas meninas? Onde fica o futuro delas? Por que os outros reféns, rapazes, foram logo liberados? Em nenhum momento percebi o direito à vida ser discutido. O que se falava era que elas eram lindas e inseparáveis, e Eloá a menina mais bonita da escola. Ela é uma menina bela, ponto. Como é que um homem maior de idade, que mantêm duas adolescentes de 15 anos na mira de uma arma de fogo em cativeiro por cinco dias, não é um criminoso? Por que tanto respeito a ponto de invadir o apartamento com balas de borracha apenas? As "balas de verdade" do "pobre rapaz" a vida de Eloá, e deixaram marcas para sempre no rosto de Nayara. Amor? Até quando as mulheres vão morrer por essa coisa estúpida e perigosa que chamam de amor? Até quando os homens vão se sentir tão proprietários da vida das mulheres a ponto de decidir se ela continua ou acaba? Evidentemente que ele não tinha nada a perder. Como negociar com um bandido se você não tem o que ele quer? Ele queria a propriedade sobre a vida de uma mulher, suas decisões, seu afeto, sua vida... e já que ele, na sua lógica, não a possuía mais, a penetrou e a feriu de morte com uma bala em seu ventre, região da sexualidade e da vida. E para acabar com a possibilidade enfim, dela continuar vivendo sua própria vida, suas próprias decisões, o veredicto final do "pobre rapaz": um tiro que atravessou sua cabeça. E por que ele teve tanta liberdade de decidir por isso? Porque ele é "o cara, o príncipe do gueto", e príncipes costumam decidir quem vive e quem morre. Agora como consolo, a mídia mais uma vez faz aquele velho discurso: "os órgãos da menina vão beneficiar pelo menos oito pessoas", aquele discurso da bondade, do "não foi tudo perdido", a diretora do hospital declara: "a gente acredita que vai ter grande sucesso. Apesar da dor da família, de todo esse estresse emocional que esse seqüestro causou, a gente tem alegria, com certeza, de fazer muitas pessoas que tinham o prognóstico fechado viverem". Sucesso? Estresse? Alegria? Essas palavras me trazem aquela sensação de filme já visto, do desvio das atenções, do apelo à doação de órgãos, o que de fato é absolutamente legítimo, mas que neste caso não pode borrar a atenção do assassinato de Eloá por um homem violento que se achava seu dono. Apesar de tudo, o delegado do caso, Luis Carlos dos Santos, ainda tem muitas dúvidas antes de dar qualquer pronunciamento sobre a qualificação do crime: "Precisamos saber principalmente o que o levou a tomar a decisão de atirar nas vítimas". Seria para rir se não fosse tão trágico! Infelizmente, as mulheres ainda continuam lacradas, e neste caso, lacrada, perfurada no útero por uma bala, eliminada da sua condição de "ser", pelo dono da situação, que decidiu que sem ser de sua propriedade, não havia nenhum motivo para continuar viva, ela já não tinha mais nenhum valor. Espero que, no julgamento ao menos, esse homem violento, homicida premeditado e seqüestrador, seja visto como tal, e não como um "trabalhador, calmo, amigo, companheiro e rapaz desesperado" como quer a mídia e a polícia. E eu fico aqui, me perguntando por que tanta condescendência com os homens violentos e assassinos e tão pouco direito para as mulheres nessa sociedade que se diz democrática. Kaliani Rocha kalianirocha@yahoo.com.br ___________________________________ Feminicídio ao vivo ? o que nos clama Eloá Maria da Penha Maia Fernandes ? Inspiradora da lei Maria da penha 11340 e Coordenadora de Honra da Coordenadoria da Mulher da Prefeitura Municipal de Fortaleza. Tudo o que o Brasil acompanhou com pesar no drama de Eloá, em suas cem horas de suplício em cadeia nacional, não pode ser visto apenas como resultado de um ato desesperado de um rapaz desequilibrado por causa de uma intensa ou incontrolada paixão. É uma expressão perversa de um tipo de dominação masculina ainda fortemente cravada na cultura brasileira. No Brasil, foram os movimentos feministas que iniciaram nos anos de 1970, as denúncias, mobilização e enfrentamento da violência de gênero contra as mulheres que se materializava nos crimes cometidos por homens contra suas parceiras amorosas. Naquele período ainda estava em vigor o instituto da defesa da honra, e desenvolveram-se ações de movimentos feministas e democráticas pela punição aos assassinos de mulheres. A alegação da defesa da honra era então justificativa para muitos crimes contra mulheres, mas no contexto de reorganização social para a conquista da democracia no país e do surgimento de movimentos feministas, este tema vai emergir como questão pública, política, a ser enfrentada pela sociedade por ferir a cidadania e os direitos humanos das mulheres. O assassinato de Ângela Diniz em dezembro de 1976, por seu namorado Doca Street, foi o acontecimento desencadeador de uma reação generalizada contra a absolvição do criminoso em primeira instância, sob alegação de que o crime foi uma reação pela defesa da "honra". Na verdade, as circunstâncias mostravam um crime bárbaro motivado pela determinação da vítima em acabar com o relacionamento amoroso e a inconformidade do assassino com este fim. Essa decisão da justiça revoltou parcelas significativas da sociedade cuja pressão levou a um novo julgamento em 1979 que condenou o assassino. Outro crime emblemático foi o assassinato de Eliane de Grammont pelo seu ex-marido Lindomar Castilho em março de 1981. Crimes que motivaram a campanha "quem ama não mata". Agora, após três décadas, o Brasil assistiu ao vivo, testemunhando, o assassinato de uma adolescente de 15 anos por um ex-namorado inconformado com o fim do relacionamento. Um relacionamento que ele mesmo tomou a iniciativa de acabar por ciúmes, e que Eloá não quis reatar. O assassino, durante 100 horas manteve Eloá e uma amiga em cárcere privado, bateu na vitima, acusou, expôs, coagiu e por fim martirizou o seu corpo com um tiro na virilha, local de representação da identidade sexual, e na cabeça, local de representação da identidade individual. Um crime onde não apenas a vida de um corpo foi assassinada, mas o significado que carrega ? o feminino. Um crime do patriarcado que se sustenta no controle do corpo, da vontade e da capacidade punitiva sobre as mulheres pelos homens. O feminicídio é um crime de ódio, realizado sempre com crueldade, como o "extremo de um continuum de terror anti-feminino", incluindo várias formas de violência como sofreu Eloá, xingamentos, desconfiança, acusações, agressões físicas, até alcançar o nível da morte pública. O que o seu assassino quis mostrar a todas/os nós? Que como homem tinha o controle do corpo de Eloá e que como homem lhe era superior? Ao perceber Eloá como sujeito autônomo, sentiu-se traído, no que atribuía a ela como mulher (a submissão ao seu desejo), e no que atribuía a si como homem (o poder sobre ela ? base de sua virilidade). Assim o feminicídio é um crime de poder, é um crime político. Juridicamente é um crime hediondo, triplamente qualificado: motivo fútil, sem condições de defesa da vítima, premeditado. Se antes esses crimes aconteciam nas alcovas, nos silêncios das madrugadas, estão agora acontecendo em espaços públicos, shoppings, estabelecimentos comerciais, e agora na mídia. Para Laura Segato[i] é necessário retirar os crimes contra mulheres da classificação de homicídios, nomeando-os de feminicídio e demarcar frente aos meios de comunicação esse universo dos crimes do patriarcado. Esse é o caminho para os estudos e as ações de denúncia e de enfrentamento para as formas de violência de gênero contra as mulheres. Muita coisa já se avançou no Brasil na direção da garantia dos direitos humanos das mulheres e da equidade de gênero, como a criação das Delegacias de Apoio às Mulheres ? DEAMs, que hoje somam 339 no país, o surgimento de 71 casas abrigo, além de inúmeros núcleos e centros de apoio que prestam atendimento e orientação às mulheres vítimas, realizando trabalho de denúncia e conscientização social para o combate e prevenção dessa violência, além de um trabalho de apoio psicológico e resgate pessoal das vítimas. Também ocorreram mudanças no Código Penal como a retirada do termo "mulher honesta" e a adoção da pena de prisão para agressores de mulheres, em substituição às cestas básicas. A criação da Lei 11.340, a Lei Maria da Penha, para o enfrentamento da violência doméstica contra as mulheres. Mas, ainda assim as violências e o feminicídio continuam a acontecer. Vejamos o exemplo do Estado do Ceará: em 2007, 116 mulheres foram vítimas de assassinato no Ceará; em 2006, 135 casos foram registrados; em 2005, 118 mortes e em 2004, mais 105 casos[ii]. As mulheres estão num caminho de construção de direitos e de autonomia, mas a instituição do patriarcado continua a persistir como forma de estruturação de sujeitos. É preciso que toda a sociedade se mobilize para desmontar os valores e as práticas que sustentam essa dominação masculina, transformando mentalidades, desmontando as estruturas profundas que persistem no imaginário social apesar das mudanças que já praticamos na realidade cotidiana. O comandante da ação policial de resgate de Eloá declarou que não atirou no agressor por se tratar de "um jovem em crise amorosa", num reconhecimento ao seu sofrer. E o sofrer de Eloá? Por que não foi compreendida empaticamente a sua angústia e sua vontade (e direito) de ser livremente feliz? Maria Dolores de Brito Mota - Socióloga, professora da Universidade Federal do Ceará [i] SEGATO, Rita Laura. Que és um feminicídio. Notas para um debate emergente. Serie Antropologia, N. 401. Brasília: UNB, 2006. [ii] Dados disponíveis em: http://www.patriciagalvao.org.br/apc-aa-patriciagalvao/home/noticias.shtml?x=1076 -- ~o /<, ._`\ -_\#/ (*) /-(*) vote bike! -- Fabianne Balvedi GNU/Linux User #286985 http://fabs.tk "Art. 38. Antes de entrar à direita ou à esquerda, em outra via ou em lotes lindeiros, o condutor deverá: [...] ceder passagem aos pedestres e ciclistas, aos veículos que transitem em sentido contrário pela pista da via da qual vai sair, respeitadas as normas de preferência de passagem." http://www.cicloviavel.org/CTB-bici.html -------------- Próxima Parte ---------- Um anexo em HTML foi limpo... URL: http://listas.softwarelivre.org/pipermail/psl-mulheres/attachments/20081020/ffb0aff0/attachment.htm From fabs em estudiolivre.org Tue Oct 21 23:24:44 2008 From: fabs em estudiolivre.org (Fabianne Balvedi) Date: Tue Oct 21 23:24:51 2008 Subject: [PSL-mulheres] ABSURDO Machismo na revista TRIP In-Reply-To: References: <4431f9b20810100632w598d2feeoc3838fddfae69c7f@mail.gmail.com> Message-ID: <4431f9b20810211824m481d9f70tda8931932f25c4bc@mail.gmail.com> Aff, agora que eu vi, me desculpem meninas, na pressa enviei o link com âncora para meu comentário, mas a intenção era mostrar o artigo, e nao apontar para minha fala. E não linkei direto a revista para nao dar ainda mais audiencia a ela, mas isso tah impossivel, e eles devem infelizmente estar lucrando horrores com os clicks de acesso na página da coluna infeliz. A verdade eh que o numero de anunciantes aumentou e agora para comentar vc tem de se cadastrar no site, o que antes nao precisava. Mas o pior de tudo mesmo eh ler comentarios de pessoas dizendo que o que foi descrito no artigo nao descreve um estupro. Pior ainda eh ler mulheres escrevendo isso. Que tristeza, há tanto que se conscientizar ainda... :( 2008/10/15 Carla Vicente > Parabéns pela sua atitude Fabianne! > Acredito que esboçar a sua indignação seja o início não apenas de mais um > debate sobre violência, mas de uma possível reação. Nós, mulheres, inseridas > ou não na informática, devemos ser mais participantes quanto a questões > sociais de grande importância e magnitude, como a violência e inclusão > social. > Infelizmente, não tenho visto movimentação na lista desde algum tempo. > Será que foi tudo fogo de palha? > Quando passaremos da conversa para a ação? > > Reflitam. > Continuo aqui. > Carla. > > > > 2008/10/10 Fabianne Balvedi > >> Gurias, olhem isso: >> >> http://interfaceg2g.org/node/598#comment-1498 >> >> eu vou escrever à TRIP com certeza. >> >> bjx >> >> -- >> >> ,_~o >> _-\_<, >> (*)/'(*) vote bike! >> >> -- >> Fabianne Balvedi >> GNU/Linux User #286985 >> http://fabs.tk >> >> _______________________________________________ >> PSL-Mulheres mailing list >> PSL-Mulheres@listas.softwarelivre.org >> http://listas.softwarelivre.org/cgi-bin/mailman/listinfo/psl-mulheres >> >> > > _______________________________________________ > PSL-Mulheres mailing list > PSL-Mulheres@listas.softwarelivre.org > http://listas.softwarelivre.org/cgi-bin/mailman/listinfo/psl-mulheres > > -- Fabianne Balvedi GNU/Linux User #286985 http://fabs.tk "Art. 38. Antes de entrar à direita ou à esquerda, em outra via ou em lotes lindeiros, o condutor deverá: [...] ceder passagem aos pedestres e ciclistas, aos veículos que transitem em sentido contrário pela pista da via da qual vai sair, respeitadas as normas de preferência de passagem." http://www.cicloviavel.org/CTB-bici.html ~o /<, ._`\ -_\#/ (*) /-(*) vou de bike! -------------- Próxima Parte ---------- Um anexo em HTML foi limpo... URL: http://listas.softwarelivre.org/pipermail/psl-mulheres/attachments/20081021/954c3e8c/attachment.html From maria_nenem em yahoo.com.br Wed Oct 22 09:42:54 2008 From: maria_nenem em yahoo.com.br (Maria Adelina) Date: Wed Oct 22 09:43:04 2008 Subject: [PSL-mulheres] =?iso-8859-1?q?Pesquisa_Acad=EAmica_sobre_Teste_d?= =?iso-8859-1?q?e_Software?= Message-ID: <512563.32205.qm@web35403.mail.mud.yahoo.com> Bom dia pessoal, Sou estudante concluinte do curso de Ciência da Computação da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB. Estou fazendo uma pesquisa para o projeto de final de curso sobre Testes de Software nas empresas do país. Estou  encontrando muitas dificuldades para realização da pesquisa, pois  nem sempre consigo localizar empresas em alguns estados do Brasil. Além do que acontece quando envio os questionários, e outras nem sequer respondem. Já entrei em contato com algumas associações como ASSESPRO, SOFTEX, dentre outras, mas nem sempre as regionais oferecem apoio. Vocês teriam uma sugestão sobre como proceder para realizar a pesquisa? Beijo Maria Adelina Novos endereços, o Yahoo! que você conhece. Crie um email novo com a sua cara @ymail.com ou @rocketmail.com. http://br.new.mail.yahoo.com/addresses -------------- Próxima Parte ---------- Um anexo em HTML foi limpo... URL: http://listas.softwarelivre.org/pipermail/psl-mulheres/attachments/20081022/9de38d45/attachment.htm From annafrank em uol.com.br Wed Oct 22 17:56:34 2008 From: annafrank em uol.com.br (annafrank) Date: Wed Oct 22 17:56:40 2008 Subject: [PSL-mulheres] =?iso-8859-1?q?RESPOSTA_=C0_TRIP?= Message-ID: POR UMA MÍDIA RESPONSÁVEL E NÃO-DISCRIMINATÓRIA CARTA ABERTA AO COLUNISTA HENRIQUE GOLDMAN E À REVISTA TRIP As organizações e redes dos movimentos feministas, de mulheres, de comunicação e de direitos humanos subscritas manifestam seu total REPÚDIO e INDIGNAÇÃO diante do desrespeito e das violações de direitos praticadas pelo colunista Henrique Goldman e pela Revista TRIP com a publicação do texto "Carta aberta para Luisa" (Edição impressa #170, de 29.09.2008, também disponível no endereço eletrônico http://revistatrip.uol.com.br/coluna/conteudo.php?i=25613), em que o referido colunista "pede desculpas públicas à empregada da família com quem transou, contra a vontade dela, quando tinha 14 anos". Para quem imaginava um "pedido de desculpas públicas", o teor da coluna viola os princípios da normativa nacional e internacional de direitos humanos, especialmente o respeito à dignidade da pessoa humana, bem como qualquer parâmetro ético na comunicação. Reproduz na mídia padrões de conduta baseados na premissa da superioridade masculina e nos papéis estereotipados para o homem e a mulher, que legitimam e exacerbam a discriminação e violência contra todas mulheres, principalmentes contra as pobres e negras, como são em sua grande maioria as empregadas das famílias brasileiras. Sem qualquer avaliação ou responsabilidade no antecedente e no conseqüente, em relação ao que se publica e como se publica – ainda mais em se tratando de violência sexual contra as empregadas domésticas, o que envolve a discriminação e violência de gênero, classe e étnico-racial –, a Revista TRIP e o colunista, somente em 10.10.2008, e após um turbilhão de manifestações indignadas, justificam na internet tratar-se "de um texto de ficção", pedem desculpas "por não ter apontado o caráter ficcional do texto" e dizem considerar "inaceitável qualquer forma de assédio ou violência sexual". Inobstante tal "justificativa", revistas como a TRIP e quaisquer outros meios de comunicação não podem seguir se furtando às suas responsabilidades sociais com o teor do que veiculam, pois são conhecedoras do poder que têm, da polêmica que geram e, com isso, do quanto mais vendem e ganham às custas da humilhação da dignidade alheia, diga-se, em especial, das mulheres. Isso beiraria à leviandade e má-fé. A "Carta aberta para Luisa", fictícia ou não, evidencia: 1. a banalização da violência contra as mulheres; 2. a utilização da violência contra as mulheres como produto, para auferir lucro; 3. a compreensão da violência sexual contra as mulheres como uma ação de menor dano, a ponto de ser tratada com deboche pelo autor. A coluna de Goldman não apenas evidencia a banalidade da violência contra a mulher mas o quanto o seu autor não parece reconhecer que a (es)história contada configura o "concurso de pessoas", na prática do crime de estupro, previsto no art.213 do Código Penal, cuja pena varia de seis a dez anos de reclusão, e a trata de forma rasteira e leviana. "Transar contra a vontade dela" nada mais é do que um eufemismo para o conhecido verbo "estuprar". Acrescente-se ao caso mais uma circunstância agravante, prevista no artigo 61, "f" do nosso Código Penal: "com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade". Ademais, esperar que "Luisa" possa "rir do que aconteceu" mostra o quanto essas práticas violentas ainda são tratadas como piadas no Brasil – apesar da conquista da Lei Maria da Penha. O mais provável é que nenhuma "Luisa", e nenhuma outra mulher que sofre uma violência dessa natureza, jamais conseguirá rir do que aconteceu e esse trauma a acompanhará por toda a vida. Certamente, ela se lembra muito bem do autor da violência. O autor, além de caracterizar um "patético pedido de desculpas" em uma "nova violação de direitos", sequer foi capaz de ir além, deixando alguns questionamentos sobre o final dessa história. "Luisa" continuou trabalhando na casa? Seria obrigada a ver o seu patrão/agressor todos os dias? Ela foi demitida por alguma razão não dita? Ela engravidou do Henrique ou de seu amigo Adalberto? Será que teve que fazer um aborto? Pior do que a hipocrisia do texto é saber que a Revista TRIP compartilha das mesmas opiniões, não só ao publicá-lo mas ao apresentar o colunista como aquele que se tornou "mais jeitosinho com as mulheres ao longo dos anos". Repugnante, lamentável e igualmente violento. E ao justificar-se como texto ficcional, retiram essa qualificação. Os danos, no entanto, já foram causados. Agora cabe repará-los. Por isso, as organizações, entidades e movimentos sociais abaixo-assinados solicitam a publicação desta Carta Aberta na próxima edição de TRIP, entendendo que cabe a essa revista e ao colunista Henrique Goldman uma RETRATAÇÃO PÚBLICA formal, não somente às "Luísas" que representam as mulheres que sofrem ou sofreram alguma forma de violência sexual mas a toda a sociedade brasileira que não compactua com esse tipo de mídia veiculada e não tolera esses atos criminosos, de discriminação e violência de gênero, classe e étnico-racial, produzidos e reproduzidos cotidianamente. Que a violência e a violação de direitos humanos sejam reconhecidas e assumidas. Não se trata de uma "bad trip" ou de um texto infeliz mal interpretado; trata-se de misoginia, machismo, sexismo, racismo, classismo, discriminação, falta de compreensão das violências estruturais e seus mecanismos de reprodução, ofensa à dignidade humana, e não só de uma pessoa. Isso afeta e molda a cultura de toda uma sociedade. Sociedade esta que queremos transformar, para que seja mais igualitária, justa e democrática. São Paulo, 21 de outubro de 2008. Assinam: CLADEM Brasil - Comitê Latino-americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher ABONG - Associação Brasileira de ONGs AMAM – Associação de Mulheres que Amam Mulheres Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas APEB - Associação de Pesquisadores e Estudantes Brasileiros em Portugal APOGLBT SP – Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo Articulação Brasileira de Jovens Feministas Articulação de Mulheres Brasileiras - Rio de Janeiro Associação Cantareira – São Paulo Associação Cultural de Educadores e Pesquisadores da USP – ACEPUSP Associação dos Documentaristas e Curtametragistas do Amapá Católicas pelo Direito de Decidir CCR - Comissão de Cidadania e Reprodução Central Única dos Trabalhadores/Pernambuco Centro das Mulheres do Cabo Centro Popular da Mulher em Goiás CPM/UBM-GO CEPIA CFEMEA - Centro Feminista de Estudos e Assessoria Chilena Tú Eres Parte; No Te Quedes Aparte - Grupo de Mujeres Imigrantes de Tercera Edad Coletivo Alumiá: gênero e cidadania Coletivo de Mulheres Ana Montenegro Coletivo de Mulheres Comunistas Carla Maria Coletivo de Mulheres Trabalhadoras do Vale Coletivo Feminista Autônomo DF Coletivo Leila Diniz Coletivo Wendo/SP Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional do Rio de Janeiro COMULHER - Comunicação Mulher Conselho Estadual da Mulher/CONEM/Goiás Conselho Estadual dos Direitos da Mulher Corpus Crisis DF - Micropolítica e Intervenção Feminista Cunhã Coletivo Feminista DCE PUC-MG DCE UEPA Elas por Elas - Vozes e Ações das Mulheres Escola Sindical Sul CUT Fala Preta! Fé-minina - Movimento de Mulheres de Santo André Fórum de Ações Afirmativas da UFRGS Fórum de Mulheres de Pernambuco Fórum de Mulheres do Paulista Fórum de Promotoras Legais Populares do DF Fórum Negro 21 Frente Mineira pela Legalização do Aborto G2G - Gênero e Tecnologia Gato Negro GEM- Grupo de Estudos sobre Saúde da Mulher Grupo Cactos Grupo Curumim Grupo de Mulheres Negras Nzinga Mbandi Grupo de Teatro Loucas de Pedra Lilás Grupo Lema Grupo Liberdade Igualdade e Cidadania Homossexual Grupo OLLA - Ousadia e Liberdade Latino Americana INDIC - Instituto Identidade Cultural Instituição Alternativa Humana - GARRA Instituto AMMA Psique e Negritude Instituto Antígona Instituto Búzios Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero Instituto Patrícia Galvão Instituto Práxis de Educação e Cultura – IPRA Instituto SERE - Serviços, Estudos e Realizações para o Desenvolvimento Sustentável Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social Ipas Brasil IPÊ - Instituto para Promoção da Eqüidade Mandato do deputado federal Ivan Valente – PSOL/SP Mandato da vereadora Marcela Moreira – PSOL – Campinas/SP Marcha Mundial das Mulheres Movimento de Mulheres de Cabo Frio Movimento Negro Unificado NEG (Núcleo de Estudos de Gênero da UFMS) NEPS - Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre as Sexualidades NIGS - Nucleo de Identidades de Gênero e Subjetividades Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher-NEIM/UFBA Observatório da Mídia Regional: direitos humanos, políticas e sistemas (UFPE) Observatório da Mulher Observatório Negro Observe - Observatório de Monitoramento da Lei Maria da Penha Ponto Cultura Pimentas Rede Guarulhos - SP Presença da América Latina-PAL Projeto Educação Alternativa (EDUCAL) Promotoras Legais Populares -Taubaté/SP Rede Acreana de Mulheres e Homens Rede Brasileira de Antropologia Feminista Rede das Mulheres de Terreiro de Pernambuco Rede de Mulheres Empreendedoras Rurais da Amazônia Rede Mulher & Democracia Redeh - Rede de Desenvolvimento Humano Sapataria - Coletivo de Mulheres Lésbicas e Bissexuais do DF – Brasil Secretaria de Mulheres da CUT/RS Secretaria de Mulheres PSOL/SP Secretaria de Mulheres Trabalhadora da CUT/ES Secretaria Nacional da Mulher da Força Sindical Secretaria Nacional de Mulheres do PT Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba -PR Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção e Mobiliário de Jaraguá do Sul e Região Sinergia/ES – Sindicato dos Trabalhadores em Energia do Estado do Espírito Santo SINPAF - Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia Themis Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero Uiala Mukaji Sociedade das Mulheres Negras de Pernambuco União Brasileira de Mulheres em Pernambuco – UBM/PE União Brasileira de Mulheres-UBM União de Mulheres de São Paulo União de Mulheres de Vitória da Conquista E mais 649 cidadãs e cidadãos brasileiros/as. -------------- Próxima Parte ---------- Um anexo em HTML foi limpo... URL: http://listas.softwarelivre.org/pipermail/psl-mulheres/attachments/20081022/fd27efd7/attachment.htm From alexandre.alencar em gmail.com Sun Oct 26 01:09:46 2008 From: alexandre.alencar em gmail.com (skarmeth) Date: Sun Oct 26 01:42:33 2008 Subject: [PSL-mulheres] skarmeth wants to keep up with you on Twitter Message-ID: <4903df7a92ff0_1c1e157684d61eb4379e8@web069.twitter.com.tmail> To find out more about Twitter, visit the link below: http://twitter.com/i/9e7333521ef6498453f091420b002fa3b2e9a202 Thanks, -The Twitter Team About Twitter Twitter is a unique approach to communication and networking based on the simple concept of status. What are you doing? What are your friends doing?right now? With Twitter, you may answer this question over SMS, IM, or the Web and the responses are shared between contacts. This message was sent by a Twitter user who entered your email address. If you'd prefer not to receive emails when other people invite you to Twitter, click here: http://twitter.com/i/optout/84f1bdc0a2371f11d628e5be2add557e32add9d5